Desde o surgimento da internet e a sua rápida absorção pela sociedade,os estudiosos e os cientistas sociais passaram a fazer horas extras para tentar entender o que estava acontecendo no mundo.A ambição de muitos em ser autoridades no assunto,seja por motivos financeiros,midiáticos ou egocêntricos,gerou várias especulações sobre o tema.Na verdade, ainda gera muita especulação e muito blá blá blá intelectual !
Assim,várias teorias surgiram e várias questões foram levantadas.Entre elas,o processo de desmaterialização territorial resultante das novas comunidades virtuais,a propagação da internet como fator contribuinte para o isolamento social,o colapso da comunicação social e da vida familiar (!?),etc...
Conforme o tempo foi passando, muitos desses estudos se mostraram especulativos e foram desacreditados por outros cientistas.É importante dizer que os estudos sociais são realmente necessários e tem um grande valor,mas há de se concordar que devido a inúmeros fatores (dinheiro,interesses políticos,tempo,dados inexatos,interesses comerciais,complexidade,
É comum encontrar a solução para muitos problemas na gênese,na estrutura.Por exemplo,são muitas as respostas conflitantes que surgem quando são levantadas questões sobre os " novos padrões de interação social ". Mas, e se o problema não estiver nas respostas e sim na estrutura da pergunta?
Analisemos,por exemplo,as palavras do autor no início do capítulo 4: “ deveríamos ser capazes de avaliar os padrões de sociabilidade que advém do uso da internet, pelo menos em sociedades desenvolvidas,onde já há difusão maciça da internet.”
Em toda a frase, há apenas uma palavra preocupante.Quando estamos tratando de física,química ou qualquer ciência exata, “ padrão” pode ser uma palavra bastante aplicável, mas quando se trata de ciência social e comportamento humano,é necessário ter bastante cuidado ao utilizá-la .De certa forma,parece que o autor sabe disso.
Conforme citamos anteriormente, o reconhecimento da fragilidade dos estudos sociais é o primeiro passo para a busca do entendimento do comportamento social.O autor também reconhece isso ao dizer que “ dispomos de dados...para formular nossa interpretação em bases menos instáveis...avançarei com cautela na formulação da discussão apresentada... e por fim tentar interpretar esse conhecimento de modo a propor algumas hipóteses sobre os padrões de sociabilidade que estão emergindo em nossas sociedades” .
A palavra “padrão” num contexto de comportamento social me faz recordar o estudo do biólogo e sexólogo americano Alfred Kinsey, que em 1948 tentou padronizar e classificar numa escala o comportamento e a opção sexual humana.Entrevistando doze mil homens e oito mil mulheres, elaborou uma classificação da sexualidade de zero a seis.
A escala de Kinsey foi criticada por ignorar algumas questões de contexto social e prática cultural. Kinsey se deparou com um número de variáveis tão grande que seu estudo, apesar de esclarecedor e colaborar para a tolerância social no que diz respeito a sexualidade,não conseguiu estabelecer um padrão e uma classificação satisfatória,mas sim percentuais ilustrativos que demonstram quão complexo é o comportamento humano.
Na comunicação social não é diferente.Muitos estudiosos tentam estabelecer padrões e classificações para o comportamento humano,mas é preciso considerar o infinito número de variáveis envolvidas nesse processo.Isso não quer dizer que esse entendimento não deva ser buscado,pelo contrário,a busca pelo conhecimento é um fator contribuinte para o crescimento da sociedade,mas deve ser feito de forma menos especulativa e mais consciente,conforme o autor fez,visando sempre um bem estar social e não um oscar de intelectual do ano que vendeu milhões de livros com sua fantástica teoria sobre sociedades virtuais.