terça-feira, 25 de agosto de 2009

Convergência

A forma como a sociedade vai se apropriar de novas tecnologias, e o uso que vai fazer delas, muitas vezes pode ser imprevisível. Por exemplo, se a indústria fonográfica cogitasse que o formato digital de música e o seu suporte físico, o Cd, fosse alavancar e disseminar a pirataria, talvez estivéssemos comprando discos de vinil até hoje, pois o formato digital dificilmente seria aprovado pela indústria, se o prejuízo causado fosse previsto.
A internet também trouxe consigo várias surpresas. A mudança comportamental e a velocidade com que essa transformação tem se dado na sociedade resultou numa multiplicidade de aplicações e usos, desenvolvidas muitas vezes pelo próprio usuário, que vem exercendo um impacto cultural de proporções inesperadas e redesenhando a forma das pessoas se comunicarem, de trocar informação e de se entreter.
A internet, apesar de estar sempre ligada a um contexto de coletividade, é individualizada pelo uso que cada um faz dela. É notório que tudo parece estar migrando para web: jornais,rádios,livros,jogos,revistas,música,filmes,etc... e cada um vai consumir tudo isso de sua própria maneira, mas a comunicação parece ser um dos principais motivos de uso da rede, principalmente quando se fala em comunicação instantânea.Talvez esteja aí a grande diferença sentida por todos: a questão do ritmo,da velocidade exigida na nova sociedade que emerge do mundo digital. Todos querem quase tudo instantaneamente, na rede não há tempo a perder. E não só tem que ser rápido, mas também tem que ser vários ao mesmo tempo. E não se pode esquecer que ser vários também significa fazer várias coisas ao mesmo tempo. E ao mesmo tempo significa agora ! Talvez a busca pela convergência, citada pelo autor, tenha a ver especificamente com isso. Ser tudo ao mesmo tempo.Ser tudo num só. Multimídia, Multifacetado...A convergência, independente de estar ou não num aparelho, com certeza já se desenvolve dentro de nós.Eu chamaria isso de stress tecnológico, ou melhor, esquizofrenia tecnológica. Se isso é saudável ou não, só tempo vai dizer. Mas já há sinais que indicam como isso afeta as pessoas.
É difícil saber o que as pessoas estão realmente buscando no universo digital, o que sabemos é como elas usam a rede e como elas se interagem virtualmente. Mas apesar disso, todos buscam se sentir inseridos dentro de um mundo confuso em relação a identidades e papéis sociais, e por isso acabam entrando no ritmo frenético e exaustivo da vida moderna, desde que isso vá lhes render a admiração e o reconhecimento do seu próximo, seja ele seu vizinho, seu colega de trabalho ou seu familiar. Será isso viver apenas de percepções alheias? Na verdade, isso não importa. O que importa é que isso vai influenciar diretamente na forma como as pessoas farão uso de novas tecnologias, ou seja, tudo isso se torna, incluindo a internet, um importante artefato na concepção da máscara social multifacetada.
Com isso em mente, é perfeitamente compreensível a teoria do autor de que o hipertexto não precisa necessariamente ser um objeto material eletronicamente operado. Pois, “nossas mentes, não nossas máquinas, processam cultura com base em nossa existência...conectadas a corpos humanos.Portanto,se nossas mentes tem a capacidade material de acessar a totalidade da esfera de expressões culturais,selecioná-las e recombiná-las, temos um hipertexto dentro de nós !” Diante de tudo isso,só nos resta saber se esse mecanismo será eficiente em atender às nossas necessidades como seres humanos ou nos tornará escravos de uma complexo sistema que poderá, a qualquer momento de um futuro próximo, entrar em pane e resultar na necessidade de reavaliar nossos valores e reconsiderar nosso estilo de vida.

Um comentário:

  1. "importante artefato na concepção da máscara social multifacetada."

    Isso dá metal!

    rsrs
    Abç

    Bel

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